quinta-feira, 26 de abril de 2012

Via alternativa


Sonho que sou a Poetisa eleita
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!


Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!


Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!


E quando mais no céu eu vou sonhando
E quando mais no alto eu vou voando, 
Acordo do meu sonho...


                    E não sou nada!...


(Florbela Espanca)






(...) Poeta, não é somente o que escreve.
É aquele que sente a poesia,
se extasia sensível ao achado
de uma rima, à autenticidade de um verso. (...)

(Cora Coralina)







segunda-feira, 16 de abril de 2012

Encantos em contos (2)

Não preciso inventar contos, eles vêm a mim, me obrigam a escrevê-los. Acontece-me algo assim como vocês dizem em alemão: Mich reitet auf einmal der Teufel que neste caso se chama precisamente inspiração. Isto me acontece de forma tão conseqüente e inevitável, que às vezes quase acredito que eu mesmo, João, sou um conto contado por mim mesmo. É tão imperativo...
(João Guimarães Rosa)


Fonte: http://www.tirodeletra.com.br/entrevistas/GuimaraesRosa-1965.htm

quinta-feira, 12 de abril de 2012

E era tão sincero
Tão puro
Tão real
Que sua poesia se fazia ouvir
Mesmo no silêncio.
               Sobretudo no silêncio. 





Em meio aos gritos das inquietações e incertezas
O silêncio soava ainda mais forte
Dizendo: 
permanência
paz
calma
quietude
esperança

Ah, como eu amo teu doce silêncio...

Amor é pra quem vive

Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. 
(João Guimarães Rosa)


Eterno
Terno 
Pleno 
Insano...

domingo, 8 de abril de 2012

Presente de Páscoa

A cada manhã
O Poeta nosso está no céu.
Iluminado é seu nobre canto
que vem a nós. Como um espelho
imitemos sua bondade
aqui na Terra: cedo, com fel,
o Cão nosso de cada dia seja morto!
Protejamos todas as crianças
assim como nós protegemos
os nossos filhos queridos.
Jamais caiamos na vil tentação
que nos leva aos maus homens
que saem executando inocentes nas ruas
ou se auto-imolando em vis explosões
que matam a Poesia e transformam o dia
num triste poema com as vísceras de fora.


(Poema como Prece Anti-Terror - Antônio Adriano de Medeiros)

sábado, 7 de abril de 2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Outro dia, amanhã

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)